Título do blog

28out09

Beleléu de Viveiros

Minha primeira sugestão para nomear o blog foi batizá-lo com o mesmo título que dá nome ao álbum de figurinhas que eu criei, sobre e com mendigos do centro do Rio de Janeiro, intitulado NOWHEREMAN. Esse nome me veio depois que comecei a folhear as páginas do livro de entrevistas do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, da série Encontros, da Azougue Editorial. Bati o olho direto na página 112 e lá me deparei com a terminologia “multinaturalismo”, que, explica o entrevistado, seria uma brincadeira para se contrapor ao conceito de “multiculturalismo”, uma vez que dela dependeria um “mononaturalismo”, ou seja, um pivô designando várias outras culturalidades. “E se fosse ao contrário”, pergunta Viveiros de Castro, “se houvesse um multinaturalismo e não um monoculturalismo?”
Isso me deu uma chave para pensar sobre o título de meu trabalho, uma vez que a irônia colocada em jogo, ao titular o álbum de figurinhas com palavras em inglês, pode revelar um contraponto antropofágico e multinaturalista assumido de, além de comer o outro, naturalizar a miscigenação pela própria estranheza que advém da relação entre álbum e título. Criar camadas de negatividade e sem sentido, mas como produto “artístico”, afinal, o que é “meu”, na verdade é relativo enquanto nomeação de um pronome que só pode ser válido por comparações. Desse modo, posso me abstrair da abstração e acolher em “nós” esses “homens sem onde nem quando” usando signos na contramão, colidindo expectativas.
Então, pensei em dar o mesmo título ao blog, em princípio, mas vi que não era o caso, pois a idéia desse blog, no wordpress é para colocar vários “eus” falando sobre vários assuntos, em arquivos diversos, coisa que (eu acho) o blogspot não faz. Não era nem o “homem sem onde”, nem o “homem do aqui e agora”, possível de ser traduzido, também, da frase em inglês. Mas vários possíveis.
Porque eu não pensei nisso antes? Pronto, lá vou eu criando outras camadas!!!! Essa frase me vem a mente a música do Itamar Assumpção, o Beleléu.
Assim, resolvi dar o nome do blog, como Beleléu de Viveiros, porque soa bastante enigmático, ao mesmo tempo que parece e não parece sério, o sobrenome de uma pessoa e, ademais, tem a ver com um viveiro de beleléus, seja lá o que isso for. Cá para nós representa um espaço para a manifestação da poesia, da crítica e para a arte, também. Assuntos que venho falando em três ou quatro blogs diferentes, que poderão todos virem a se linkar por aqui, nesse Viveiro de Blogs/assuntos.
Juntar Viveiros de Castro, que é um antropólogo brilhante e que, tenho certeza, amo-o antes de conhecê-lo profundamente, por toda a minha vida, com Itamar Assumpção, amor eterno, é inventar um meio de dizer coisas pelo coração que a inteligência, certamente, não se sentirá desprestigiada pelo afeto/efeito que esse invento pretende produzir: alcançar camadas de percepção, sentidos e sensações que justifiquem seu estranho apetite pelas diferenças.

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